À FRENTE DO INSTITUTO DE PRÓTESE E ÓRTESE, DR. JOSÉ ANDRÉ CARVALHO É UM PESQUISADOR INQUIETO, QUE, POR MEIO DE ESTUDOS E MUITO TRABALHO, É CAPAZ DE CRIAR NOVOS (E FELIZES) DIAS PARA PESSOAS AMPUTADAS E COM MÁ FORMAÇÃO.

Dr. José André Carvalho
Foto: Alex Rodrigues
Dr. José André Carvalho

Uma brincadeira de infância foi o que levou o Fisioterapeuta e Protesista ao mundo das próteses e órteses. Amante declarado de Lego, brinquedo de peças que permite inúmeras combinações por

meio do encaixe, Dr. André associa a paixão pela brincadeira à sua escolha profissional: “Sempre amei a área da reabilitação e também a brincadeira, então, resolvi unir as duas coisas e deu certo, hoje trabalho montando e desmontando componentes”, conta. Formado em Fisioterapia pela PUC-Campinas, sempre teve afinidade com o assunto desde o início da faculdade. De lá para cá, já são mais de 20 anos de trabalho focado aos usuários de próteses e órteses. Com experiência no assunto e a consciência de que essa área é um setor carente no País, Dr. José André criou o IPO – Instituto de Prótese e Órtese em Campinas em 2002, com o objetivo de mudar o conceito de reabilitação. É lá que ele tem a oportunidade de transformar vidas e ver de perto a emoção daqueles que “ganham” novas chances de se movimentar e locomover.

Nesta edição, na qual o ponto-chave é o movimento e a diversidade, fizemos questão de conversar com ele e saber como é ser responsável pela mudança de vida de tantos brasileiros:

Profashional em Movimento: No seu livro “Amputações de membros inferiores: em busca da plena reabilitação”, o sr. diz que a reabilitação não se resume a colocar o paciente de pé e ajudá-lo a se locomover. O que está por trás disso?

Dr. José André Carvalho: Reabilitar não significa somente protetizar. As pessoas vão atrás de

empresas achando que comprar uma prótese soluciona problemas, mas não é assim. O cartucho de uma prótese é a peça mais importante no processo sendo o responsável pela conexão do homem à máquina. Se ela não tiver bem adaptada, não funciona. Costumo fazer uma analogia com a prótese dentária: se não estiver bem encaixada, será um incômodo, dificultando seu uso. Temos de fazer tudo de forma benfeita e não podemos nos esquecer do treinamento. O amputado já deveria sair do hospital com orientações e recomendações sobre o processo de reabilitação visando uma futura protetização. Isso é muito importante e faz toda a diferença. Isso é uma necessidade especial. Assim como quem tem um problema de visão e precisa usar óculos, os amputados precisam usar próteses.

PEM: Pelo seu tempo de relação com eles, o que as próteses representam em suas vidas?

J.A.C.: Representam oportunidade e aprendizado diário. Para nós, os envolvidos, também é uma lição diária. Cada caso é um caso e em todos eles estudamos, criamos alguma ligação e aprendemos muito. É incrível você estar presente nos primeiros passos ou num recomeço.

PEM: E especificamente no dia a dia das crianças, como é esse processo de utilização de prótese ou órtese?

J.A.C.: Em crianças, o foco é diferente e o processo é como o de um bebê que está aprendendo a andar. Quando possível, protetizamos por volta de 11 ou 12 meses, tempo que a criança começa a dar os primeiros passos. Todo o processo é bem lúdico. E um fator importante é que a criança está em desenvolvimento, então, a substituição da prótese precisa ser com maior frequência. Algumas precisam ser ajustadas ou substituidas a cada seis meses, porém fazendo o reaproveitamento dos componentes para redução de custos.

PEM: Os Jogos Paralímpicos serviram de vitrine para a diversidade e para que todos pudessem ver o potencial de pessoas com deficiências. Qual é a importância disso?

J.A.C.: A diversidade é fundamental. Trabalhamos muito com a troca de experiências. Temos pessoas com dificuldade de aceitação própria, que mudam a maneira de se olhar depois de dividir suas experiências com outras que passaram por situações parecidas. Com isso, superam, levantam

a cabeça e seguem em frente. As Paralimpíadas tiveram papel fundamental nisso: antes, escondiam suas próteses ou até se escondiam em casa. Hoje, elas querem mostrar quem são.

“O AMPUTADO JÁ DEVERIA SAIR DO HOSPITAL COM ORIENTAÇÕES E RECOMENDAÇÕES SOBRE PRÓTESES. ISSO É MUITO IMPORTANTE E FAZ TODA A DIFERENÇA. ISSO É UMA NECESSIDADE ESPECIAL. ASSIM COMO QUEM TEM UM PROBLEMA DE VISÃO E PRECISA USAR ÓCULOS, OS AMPUTADOS PRECISAM USAR PRÓTESES.”

DR. JOSÉ ANDRÉ CARVALHO, RESPONSÁVEL PELO IP O

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