Tamanho do texto

Retratar pessoas é o forte do artista Aecio Sarti. O inusitado é onde essa arte é aplicada: em lonas usadas de caminhões

Aecio Sarti
Divulgação
Aecio Sarti

Natural de Aracajú (SE), formado pelo Colorado Institute of Arts (EUA) , o artista Aecio Sarti tem como forte representações humanas nas suas obras. Em diferentes formas, podendo ser um trabalho rico em detalhes e cores ou de pinceladas soltas, grafitadas, monocromáticas, ele mostra a beleza de seus retratados em uma atmosfera muito particular. Com a pretensão de ser apenas uma fuga pessoal, seus trabalhos já foram exibidos em exposições nacionais e internacionais, também estão presentes em acervos particulares em todos os continentes.
“Minha obra faz parte de coleções privadas e públicas em mais de cinquenta países. Sinto-me feliz ao me dar conta da dimensão que tudo tomou, mas não tenho vaidade em relação a isso. Nasci para ser artista, e ver meu trabalho espalhado pelo mundo me dá a sensação de que minha missão nesta vida está sendo cumprida”, conta.

RECOMEÇO

Desde adolescente, Aecio Sarti se dedicava totalmente à arte. Ele sempre soube que seria artista. Aos quatorze anos, começou a pintar por pura necessidade de pintar, de estar junto da arte. “O artista precisa da arte para se manter vivo, senão a vida beira à loucura. Sem exagero, digo que o artista que não se dedica à arte fica muito próximo de sua insanidade mental”, confessa. E foi aos 21 anos de idade que a carreira teve uma pausa por conta de uma severa depressão. “Por duas décadas, fiquei longe das tintas e, nesse período, trabalhei em empresas de aviação, tive negócio próprio e até fui estilista. Mas minha vida não era plena. Só voltei a pintar novamente quando tinha por volta de 40 anos de idade”, diz. Desde então, o artista produz compulsivamente todos os dias, sem exceção. “Nesses anos de recomeço, calculo que tenha pintado aproximadamente três mil quadros”, revela.

“Minha obra faz parte de coleções privadas e públicas em mais de cinquenta países. Sinto-me feliz ao me dar conta da dimensão que tudo tomou, mas não tenho vaidade em relação a isso. Nasci para ser artista, e ver meu trabalho espalhado pelo mundo me dá a sensação de que minha missão nesta vida está sendo cumprida” Aecio Sarti

SUSTENTABILIDADE

A veia artística ligada à sustentabilidade veio de forma natural. “Quando passei a utilizar lonas de caminhão, pensei primeiramente em sua beleza e na plasticidade que elas oferecem ao trabalho como um todo. Outra coisa que me encanta é ter em mãos um suporte que já chega para mim carregado de histórias. Acho isso poético. Obviamente, minha arte acaba sendo sustentável, mesmo sem eu ter planejado isso. Talvez isso seja um bom exemplo de que a sustentabilidade pode, sim, estar intimamente ligada à beleza, à poesia e à contemporaneidade”, afirma.

CÉU DE QUERUBINS

A obra de que Aecio tem mais orgulho e satisfação é a “Céu de Querubins” . “Essa minha pintura sobre uma lona inteira tem noventa e seis metros quadrados e antes de ser exibida em museus pelo Brasil, foi colocada na carroceria de um caminhão para proteger um carregamento de potes de barro, desde o sertão baiano até o Sudeste. Essa jornada acabou se transformando em filme e tomou uma dimensão muito maior do que eu imaginava. Uma história que continua viva, repercutindo mundo afora e que parece não ter fim”, conta orgulhoso. “Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Um documentário desse nível, desse porte, com uma beleza tão grande, que foi brilhantemente dirigido pelo meu amigo/irmão Gustavo Massola. Até hoje, quando assisto ao filme, eu fico extasiado, feliz e orgulhoso de saber que ele percorreu tantos festivais de cinema, que ganhou prêmios e que até na televisão foi exibido. Sinto-me privilegiado por ter recebido esse presente da vida” , completa.

“Essa minha pintura sobre uma lona inteira (...) Uma história que continua viva, repercutindo mundo afora e que parece não ter fim” Aecio Sarti


Retratar pessoas é o forte do artista Aecio Sarti. Arte é aplicada em lonas usadas de caminhões
Divulgação
Retratar pessoas é o forte do artista Aecio Sarti. Arte é aplicada em lonas usadas de caminhões


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.