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Inaugurou ontem no IMS Paulista, a exposição “Irving Penn: centenário”. Em homenagem ao fotógrafo, relembramos sua história e carreira!

Os mais de cem anos de um dos fotógrafos mais consagrados de todos os tempos está sendo celebrado na exposição “Irving Penn: centenário. ” A mostra, com acervo do MET e da Fundação Irving Penn, chegou ontem ao IMS Paulista e traça um panorama da carreira do fotógrafo norte-americano, celebrando os 118 anos que ele completaria esse ano, através de mais de 230 fotografias!

 Aproveitamos a exposição, para lembrar a vida e carreira de um dos nomes mais importantes na moda e na fotografia de todos os tempos!

Em suas primeiras fotos para a 'Vogue', fez registros de natureza morta, como em 'Jogos após o jantar', de 1947.
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Em suas primeiras fotos para a 'Vogue', fez registros de natureza morta, como em 'Jogos após o jantar', de 1947.

 Durante seus mais de 70 anos de carreira, Irving Penn revolucionou a forma de fazer retratos e inúmeros outros gêneros fotográficos. Sua marca no ramo da fotografia de moda foi impressa de tal maneira, que é até difícil imaginar como seriam os editoriais contemporâneos não fosse a consagração de sua estética!

Irving Penn nasceu em Nova Jérsei em 1917 e graduou-se na Filadélfia, no Museum School of Industrial Art, hoje conhecido como University of the Arts, onde conheceu o professor e seu futuro mestre, Alexey Brodovitch, na época diretor de arte da Harper’s Bazzar. Alexey lhe conseguiu um trabalho na revista como office boy e aprendiz, fazendo moldes de sapatos.

Em 1938 mudou-se para Nova Iorque onde passou a trabalhar como artista gráfico. Ainda jovem, desistiu de um trabalho como diretor de arte na luxuosa loja de departamentos Saks Fifth Avenue para ir ao México com o objetivo de descobrir, entre outras coisas, o quão bom pintor ele era. Depois de um ano, segundo o próprio, percebeu que não era tão bom quanto esperava e destruiu todos seus desenhos! Mal sabia que lavava a tinta das mãos como preparação para pegar em câmeras fotográficas!

 De volta à Nova Iorque em 1943, foi contratado por Alexander Liberman, na época diretor de arte do grupo Condé Nast, para trabalhar na Vogue – como designer gráfico e para dar sugestões sobre as fotografias das capas da revista. No mesmo ano, teve sua primeira capa publicada pela revista e, assim como o tema da maioria das outras 150 que ele iria clicar, a capa tratava-se de natureza morta.

 A natureza morta foi um dos temas mais explorados por Penn, tende fotografado os mais variados objetos como, queijo, carne, papel, xícaras, bitucas de cigarro e manchas de batom em copos de licor, e todos com a simplicidade característica do fotógrafo.

O cineasta Alfred Hitchcock fotografado por Penn
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O cineasta Alfred Hitchcock fotografado por Penn

 A versatilidade e a originalidade são características inegáveis de Penn. Em 1947 e nos anos seguintes de sua carreira viajou a trabalho para Vogue, para mais de 20 países, como China, Bangladesh, Istambul, Turquia, Espanha, Inglaterra, entre outros, clicando os mais variados aspectos de suas culturas. Retratou arquitetos, artistas, intelectuais, trabalhadores e pessoas comuns. Em Cuzco, fez os seus mais de 200 reconhecidos retratos dos locais, em uma de suas séries mais conhecidas, mostrando um novo lado de seu trabalho, regado de simplicidade e sempre maestria.

Em 1948, outra série de fotos marcou a carreira do fotógrafo. Ele começou a usar um dispositivo de canto em seus retratos. Ao posicionar duas colunas encostadas (de forma a situá-las como um canto de um cômodo), Penn criou um espaço no qual seus modelos podiam interagir ou posar contra as “paredes”. O trabalho foi publicado pela Vogue e mostrava nomes como Elsa Schiaparelli, Marcel Duchamp e Salvador Dalí.

Dois anos depois, se dedicou também a Alta Costura, fotografando modelos de Cristobal Balenciaga e Christian Dior. Uma de suas musas fora sua esposa Lisa Fonssagrives-Penn, que foi fotografada por ele durante muitos anos. Nos dois anos seguintes explorou a nudez da mulher, retratando inclusive Gisele Bündchen, que teve um de seus nus leiloado por US$ 193 mil.

E se não bastasse, em 1967 começou a trabalhar em campanhas publicitárias para a marca Clinique, na época uma empresa de cosméticos recém-lançada de propriedade de Estée Lauder. Penn foi seu fotógrafo de publicidade durante anos, produzindo icônicas fotografias de natureza-morta de seus produtos.

Outra paixão de Irving eram as flores: em 1967 começou uma série anual de fotografia exclusivamente sobre elas (o trabalho era para Vogue, em todo o mês de dezembro).  O primeiro ensaio fotográfico apresentou tulipas, e para os próximos sete anos, Penn retratou uma espécie diferente de flor: peônias, em 1968, papoilas em 1969, orquídeas em 1970, rosas, em 1971, lírios, em 1972, e begônias, em 1973.

No mesmo ano viajou para San Francisco, onde fotografou os counter-culture groups, incluindo hippies, a gangue Hells Angels (que representou fotografias emblemáticas do fotógrafo) e grupos de rock: Big Brother and the Holding Company e o Grateful Dead.

Audrey Hepburn em fotografia de 1951.
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Audrey Hepburn em fotografia de 1951.

Irving Penn foi um fotógrafo sem igual, que se doou em cada um de seus trabalhos, se reinventou em cada clique, e se aprimorou a cada ano. Truman Capote, Issey Miyake, Pablo Picasso, Kate Moss, Audrey Hepburn, Alfred Hitchcock, Cindy Crawford, foram algumas das outras diversas personalidades as quais ele retratou.

O que vale salientar mais uma vez, entretanto, é a sua inigualável habilidade de retratar qualquer tema, fosse natureza morta, produtos de beleza, flores, famosos e até mesmo pessoas comuns em seu dia a dia de forma simples, inovadora e inspiradora. Penn deixou um legado extenso e servirá de inspiração para muitos! 

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