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"A busca pela plenitude é discutidahá séculos por filósofos. Hoje, porém,já existe até uma equação paraalcançar a felicidade. A opção é sua por Sandra Teschner"

A jornalista e escritora Sandra Teschner no evento World Happiness Summit 2019 em Miami arrow-options
Arquivo pessoal
A jornalista e escritora Sandra Teschner no evento World Happiness Summit 2019, em Miami.




Sa 

sandrateschner.com.br

“Até parece!”, alguns devem estar pensando, nesse instante.

“Como podemos escolher sermos ou não felizes

neste mundo em que vivemos?” A boa notícia é que

a afirmação que encabeça este texto – e que visa encorajar

você a vir comigo nessa jornada – é cientificamente

comprovada. Assim sendo, é capaz de roubar sorrisos no

cantinho da boca até dos mais céticos. E tem mais: não há

nada de novo nisso.

Discussões envolvendo a felicidade são tão antigas quanto

a própria humanidade. Arriscaria dizer que temos o dever

e o direito de sermos felizes. Filósofos já defendiam –

no jogo sábio entre as ações e as palavras – direcionamentos

que hoje se mostram verdadeiros. Como a busca pela imperturbabilidade,

que é um dos estados ideais de vida.

Vamos atualizar esse discurso e chegar ao agora, alguns

anos e milhares de pesquisas depois. Vou dividir com vocês

a fórmula de Mo Gawdat, mestre, engenheiro e ex-diretor

da Google. Mo criou a chamada Equação da Felicidade,

que sugere fazermos uma pequena relação do que nos deixa

felizes, algo do tipo “me sinto feliz quando...” E, ainda

que seja pueril, segundo o autor, o próprio ato de criar sua

“Lista Feliz” já é uma experiência tão boa que, quando você

terminar, deverá se sentir revigorado e animado.

Nossas listas não serão as mesmas. Na minha, por exemplo,

estarão inclusos ouvir o meu filho Kai contar de sua vida,

sentir cheiro de café logo cedo, imaginar o colo de minha

avó e a cantoria de meu pai, além de ouvir minha mãe gargalhando!

A equação de Mo trata matematicamente a situação

e propõe o seguinte: a felicidade é igual ou maior à percepção

dos acontecimentos em sua vida menos a expectativa de

como sua vida deveria ser. O resultado dessa matemática da

vida definirá o quão feliz você conseguirá ser.


Hapyness arrow-options
Unsplash
Hapyness




A expectativa é vilã porque nos coloca

na posição comparativa em relação ao

outro. As redes sociais apresentam uma

falsa (ou não) realidade que você se acha

incapaz de alcançar. Você segue esperando

o inatingível e, por consequência,

estará sempre insatisfeito.

Como todas as águas positivas levam

ao mar da satisfação plena, e eu sou

mergulhadora assídua, com carteirinha

e tudo, há alguns anos vivenciei o que

se chama de EQM, ou seja, uma “experiência

de quase morte”. Ao acordar na

UTI, eu me lembrava de ter visto uma

luz cor-de-rosa e de ouvir repetidamente,

como se fora uma oração, ou um

mantra, “ a felicidade consiste em mudar

tudo o que posso mudar, aceitar tudo o

que não posso mudar e principalmente

na sabedoria em diferenciar os dois momentos”.

Pratico isso, todo dia.

Alguns professores de renome internacional

defendem que 50% da condição

de ser feliz é genética, uma pequena

parte vem do meio ambiente e das

condições de vida e a principal, cerca de

40%, depende de cada um de nós. Por

ser alguém agraciada com meu DNAfeliz,

busco semelhantes vida afora e os

encontro nas situações mais diferentes

e menos óbvias. Como em crianças que

sofrem duras perdas, umas com amputações

em múltiplos membros, outras com

câncer reincidente ou ainda com síndromes

raras. Todas elas portadoras de uma

imensa alegria de viver, dispostas a fazer

a diferença e certas de que a vida é maior do que qualquer

perda. Elas descobriram o que tantos almejam sem saber onde

encontrar: o propósito da existência. Vivo e trabalho intensivamente

com elas e uso todas as ferramentas que tenho, do amor

à gratidão, da empatia à presença. Doo, primeiramente, o bem

mais raro que podemos possuir em 2019: o tempo qualitativo.

Mas nem tudo é alegria. Em cada quatro pessoas que

você encontra, uma sofre de depressão. A cada 40 segundos,

alguém comete suicídio no mundo. O mal do nosso

século é o ódio e seu poder exponencial de se propagar em

rede contamina gerações.

Proponho espalharmos a boa-nova de que ser feliz é uma

decisão. Temos de estar à frente desse movimento global que

prega um resgate de nós mesmos, munidos de emoções positivas,

de resiliência e de gratidão. Sabendo que somos parte

de algo maior, cuidando de nós mesmos e do outro, buscando novos aprendizados, promovendo autoaceitação, exercitando-

nos! Somos corpo, mente, espírito e, talvez o mais importante,

relacionando-nos, conectando-nos em inner-net.

E se agora vocês disserem que sou uma sonhadora, já sabem

o que eu vou responder, certo? “I’m not the only one”.


*Sandra Teschner é publisher da Profashional Editora, escritora,

CHO (Chief Happiness Officer) e palestrante de temas como

autoestima e felicidade. Fez desses tópicos objeto de pesquisa técnica.

Desenvolve um trabalho social principalmente com crianças e jovens

que sofreram múltiplas amputações.