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Felipe tem muitos motivos para ser admirado, vencendo qualquer barreira que o preconceito das pessoas possa impor a quem é diferente.

Felipe Machado
Fotos Marcelo Brum e arquivo pessoal

Ele provou que “ser diferente não é ruim”, como ele mesmo diz. Através do seu blog e Instagram, aproveitou sua condição e transformou o Albino Fashion em um sucesso imediato, tudo isto dando dicas de moda, diversidade e lifestyle. Para entender onde tudo começou, suas inspirações, receptividade das pessoas e, claro, aquela dica de moda especial, batemos um papo superdescontraído com ele, e você confere tudo nas linhas a seguir.

Revista Profashional: Quando e por que surgiu a ideia de criar o blog e o Instagram para falar de moda?

Felipe Machado: Em 2015, comecei a estagiar no setor de marketing da empresa em que trabalho, foi quando passei a escrever sobre moda para o blog da empresa e, logo depois, decidi trocar meu Instagram pessoal para @albinofashion, pois era como as pessoas estavam começando a me chamar. O blog é um sonho que sempre tive e se realizou no início deste ano. Ele é uma plataforma em que posso me expressar e falar sobre moda, beleza, eventos, dicas e uma das coisas que mais amo no mundo da moda: o street style. O Albino Fashion não é para falar somente do que eu gosto, mas, sim, do que as pessoas gostam, o que as pessoas estão usando e mostrar o estilo, a cultura e o estado de pertencimento que a moda carrega em cada um de nós.

R.P.: No começo, você chegou a achar que poderia surgir algum tipo de rejeição pelas pessoas?

F.M.: Sim, sempre tive esse medo, mas para minha surpresa, o caminho que fui tomando foi me ensinando e uma das coisas que aprendi com a moda, é que se não tentarmos, nunca saberemos o resultado das coisas. Vejo que desde quando comecei, fui errando e acertando, mas no fim, tudo tem sido um aprendizado constante. 

R.P.: A receptividade tem sido positiva?

F.M.: Sim, sou muito grato a cada um que me acompanha e pelo feedback que recebo. Não só a aceitação, mas também as críticas construtivas fazem com que eu melhore cada vez mais, e é muito bom ter esse retorno da galera.

R.P.: Além de moda e dicas legais (somos fãs do seu Ig), o que está por trás do @albinofashion?

F.M.: Por trás do Albino Fashion está um garoto que, sim, é albino, e que por meio daquilo que ele ama, a moda, encontrou uma forma de mostrar para as pessoas que ser diferente não é ruim. Na minha infância, sofri bullying e, por algum tempo, passei a acreditar que ser albino era horrível, porém eu estava completamente errado e a faculdade me ajudou a ver isso. Qual seria a graça se fossemos todos completamente iguais? O que nos faz ainda mais bonitos são nossos diferenciais e é tão bom poder enxergar isso nas pessoas. 

R.P.: Hoje, o mercado de moda tem se preocupado mais em trazer pessoas em diferentes condições, muitos modelos albinos ganharam espaço, como você enxerga isto?

F.M.: Vejo isso de forma muito positiva e principalmente no mundo da moda, onde o “diferente” é valorizado e é isto que devemos levar para o mundo afora. Infelizmente, muitas pessoas ainda não sabem o que é albinismo, mas a falta de informação pode mudar se aproveitarmos o espaço que temos para mostrar o que somos.

R.P.: Você acha que falta muito para a moda ser verdadeiramente inclusiva?

F.M.: Pergunto-me muito sobre isso e acredito que avançamos muito, comparado com décadas atrás, mas o caminho ainda é longo. Existem marcas que trabalham a moda inclusiva e, infelizmente, não recebem o reconhecimento que deveriam, mas ao mesmo tempo, vivemos uma geração em que essas marcas e as pessoas têm maior liberdade de expressão e isto tem dado voz à moda inclusiva. Pode demorar para ela ser verdadeiramente inclusiva, mas o fato de ela estar sendo debatida me faz acreditar que chegaremos lá.

R.P.: O que você espera conquistar com o Albino Fashion?

F.M.: Essa pergunta é difícil (risos)! Quando olho para trás e vejo o quanto eu aprendi e evoluí, percebo que já conquistei mais do que eu esperava, mas, hoje, quero que o Brasil e o mundo conheçam o Albino Fashion como uma plataforma de informação, entretenimento, dicas e muita diversidade de moda. Quero também, cada vez mais, estar envolvido com desfiles, com eventos que envolvam criatividade e poder passar isto para as pessoas, até porque, um dos melhores presentes que temos dessa geração é o direito à informação.

R.P.: Conte para nós o que faz seu estilo.

F.M.: Como disse antes, eu amo street style, esse movimento da moda que envolve passarela, mas também envolve cultura, estilo e tantas outras coisas, por isso gosto de arriscar bastante, gosto de brincar com o que é tendência e misturar com o que é do meu estilo. Entre as coisas que fazem meu estilo, está a gravata borboleta, é claro, com todos os tipos de estampa e modelo, do mais retrô ao mais moderno; camisa abotoada até o topo; chapéus no estilo fedora; diversos tipos de jeans, desde o sem lavagem até o destroyed; e, por fim, as estampas, que entre as preferidas estão as florais, tribais e listras.

R.P.: O que não pode faltar no guarda- -roupa masculino quando o assunto é estar na moda?

F.M.: Acredito que a moda masculina aproveita muito as possibilidades que tem, por isso os clássicos jeans e xadrez não podem faltar; porém a cada ano, renovados com alguma nova referência. Camisetas com estampas que transpareçam o seu estilo são essenciais e também acho interessante ter algumas básicas, para aqueles dias em que quiser investir bastante nos acessórios. Óculos solar, hoje, são essenciais, não só por estilo, mas pela nossa saúde ocular, por isso é legal ter aquele modelo favorito que sempre anda com a gente.

R.P.: O que é ser Profashional para você?

F.M.: Pode parecer clichê dizer isso, mas acho que ser Profashional é fazer o que gosta e não se preocupar com o que vão pensar. Digo isso, porque parece que, às vezes, nos preocupamos demais com a opinião das pessoas e isto acaba nos bloqueando demais. Temos um mundo inteiro para conquistar e podemos ser reconhecidos pelo que somos, aí é que está o ser Profashional.

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