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David Bowie, um dos maiores astros do pop-rock, sabe como poucos se reiventar. Aos 67 anos, trilhou uma carreira De Sucesso na músics, com inclusões no cinema e criou referências na moda.

David Bowie - Star, man!
Divulgação
David Bowie - Star, man!

A megaexposição que vai rodar o mundo até 2018 (o Brasil teve o privilégiode ser um dos primeiros países a ver), motra como ele se transforma sem perder a própria essência.

Se você nunca ouviu falar de David Bowie, por qual planeta andou? O camaleão do rock coleciona uma série de álbuns de sucesso e revolucionou o comporta- mento de diferentes gerações. Ambíguo, bissexual, andrógino, o que importa? Aos 67 anos (muito bem vividos), o músico britânico mostrou que, durante as diferentes fases da sua vida,

soube se reinventar sem perder a essência.

Apelidado de Camaleão do Rock, Bowie vai além do que apenas se camuflar no ambiente em que se encontra. Ele criou diferentes personas que se encaixavam perfeitamente à nossa realidade. Seja como Ziggy Stardust (o extraterrestre que virou estrela do rock) ou The Thin White Duke (o duque que mascarava

sua insensibilidade com canções de amor intenso) ou simplesmente como ele mesmo, o músico inglês optou por não seguir linhas retas para chegar aonde queria. E conse- guiu muito mais.

O início

Vamos falar a verdade: escre- ver um texto sobre a vida de Bowie é impossível. Sua história caberia em um livro, de vários capítulos, títulos, divisões, imagens e sons (se possível fosse).

Mas tudo começou (musical- mente falando) em 1964, quando ele ainda era Davie Jones e tinha uma banda chamada The King Blues. O primeiro álbum do astro do rock, já como David Bowie, só chegou em 1967. “Rubber Band” foi um dos singles de sucesso do disco. Seu figurino consistia em chapéus chamativos e roupas psicodélicas, mas que ainda não chamavam tanto a atenção.

Os fatos começaram a se tornar outros em 1969, com a canção “Space Oddity”. A música sobre o Major Tom – personagem que também é citado em músicas posteriores, como “Ashes To Ashes” (1980) e “Hallo Spaceboy” (1996) – foi baseada no filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick. Na bela melodia, é contada a história de um homem que vai ao espaço, perde contato com a Terra, mas antes pede para avisar à esposa que a amava. “Planet Earth is blue, and there’s nothing I can do...” (O mundo é azul e não existe nada que eu possa fazer), terminava a canção.

Em 1971, Bowie lançou o álbum “Hunky Dory” e com ele, suces- sos como as músicas “Changes” e “Life on Mars”. Mas o foi no ano seguinte que sua história mudou de vez. Chegava ao mercado o disco “The Rise Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”.

O homem que veio de Marte

Foi com a criação de Ziggy Stardust (em 1972) que Bowie chegou ao sucesso de fato (e

por ali ficou). O personagem de cabelos vermelhos, sobrancelhas raspadas, maquiagem e roupas extravagantes era um extraterrestre transformado em estrela de rock para confortar a humanidade em fase de extinção com uma mensa- gem de esperança. E junto com ele vinha uma banda, a The Spiders from Mars (As Aranhas de Marte).

Era ao auge do glam rock e Ziggy provocou um verdadeiro culto de jovens à figura andrógina, que também se fantasiavam como ele para ir aos shows. Brilho para todos os lados.

No dia 3 de julho de 1973, no entanto, Ziggy se despedia da humanidade no emblemático show do Hammersmith Odeon, de Londres. Bowie matou o perso- nagem porque já não conseguia mais distinguir quem era quem. A persona não voltou a aparecer sobre um palco, mas várias de suas canções acompanharam o músico em suas turnês posteriores.

Mas resta a dúvida: Bowie criou Ziggy ou foi Ziggy quem trouxe David Bowie à Terra?

Os anos seguintes

Entre 1974 e 1976, Bowie encar- nou outra persona, o sombrio Thin White Duke e lançou o álbum “Station to Station”, com letras que mostravam um homem vazio que cantava músicas de amor com uma intensidade desesperada. Coletes, calças e camisas de alfaiataria faziam parte do seu novo figurino. O exagero glam tinha ficado para trás.

Entre 1977 e 1979, o camaleão mudou-se para a Alemanha, onde produziu a “Trilogia de Berlin”,

formada pelos álbuns “Low”, “Heroes” e “Lodger”. Em parceria com Brian Eno, criou músicas com forte influência do pós-punk indus- trial do momento.

Nos anos 80, David Bowie conseguiu consolidar sua carreira, emplacando vários hits, como “China Girl”, “Let’s Dance”, “Blue Jeans”, entre outros. Na década de 90, a música eletrônica volta a conduzir o trabalho do cantor. Além da música, Bowie volta a pintar o cabelo de vermelho e, inspirado no movimento futurista, renova seu guarda-roupa mais uma vez. A capa do álbum “Earthling”, com um sobretudo com a bandeira do Reino Unido, é um dos looks icôni- cos dessa fase.

Fênix

Em 2003, Bowie lançou “Reality”, disco com humor e melancolia, que reflete sobre toda sua carreira e que na faixa-título proclama “I’ve been right and I’ve been wrong, now I’m back where I started from”. A Reality Tour o fez viajar pela Europa, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Japão, com um público estimado em 722 mil pessoas.

Mas, em 2004, durante um show na Alemanha, Bowie sentiu uma dor aguda no peito. Descobriu que estava com uma artéria coronária entupida e passou por uma cirurgia de emergência. Parecia o fifim. Ele se afastou dos palcos e só aparecia de vez em quando em eventos ou participações especiais. Passou a viver como um homem comum (ou quase), em Nova York, junto com sua esposa, a modelo Iman Abdulmajid e a fifilha Alexandria (nascida em 2000).

E quando todos davam como certa a aposenta- doria sem volta do camaleão do rock, ele voltou com um disco de inéditas no início de 2013, “The Next Day”. Em apenas uma semana, o álbum se tornou o mais vendido no Reino Unido. Alguns clipes cinema- tográfificos foram lançados. Mas apesar de rumores, nenhuma turnê foi confifirmada até agora. Quanto à volta das apresentações ao vivo, o futuro continua incerto. Mas tratando-se de Bowie, podemos esperar novos capítulos dessa extensa e vibrante história.

Ícone da Moda

Em 2013, a revista de história da emissora ingle- sa BBC elegeu as dez personalidades britânicas mais bem vestidas de todos os tempos. E o ven- cedor foi David Bowie. O músico ficou à frente da rainha Elizabeth I, em segundo lugar, e de Georgiana Cavedish, duquesa de Devonshire. E justamente por ser considerado um ícone da moda, David Bowie foi convidado para protagonizar um dos comerciais da grife Louis Vuitton. Intitulado “L’Invitation Au Voyage” (que é segundo de uma trilogia), o vídeo é também estrelado pela modelo americana Arizona Muse. Nele, o músico toca piano em um baile de máscaras, onde ele executa uma versão de “I’d Rather Be High”, música de seu mais recente CD “The Next Day”.

Megaexposição em São Paulo

O Museu da Imagem e do Som (MIS) trouxe a São Paulo a exposição “David Bowie”, organi- zada pelo Victoria and Albert Museum (V&A) de Londres, um dos mais importantes museus do mundo. Antes da capital paulista, a mostra esteve apenas em Toronto (Canadá) e vai percorrer outros países até 2018 (a agenda está lotada).

A curadoria do V&A teve acesso ao arquivo pessoal do músico, mas apesar de ter cedido os objetos, Bowie não se envolveu na concep- ção. Além de set lists, letras de músicas, manuscritos, instrumen- tos e desenhos, a mostra brasi- leira inclui 47 figurinos, trechos de filmes e shows ao vivo, videoclipes e fotografias.

Entre os figurinos que compõem o inventário da mostra, estão peças do álbum “Aladdin Sane”, como o macacão assimétrico feito de vinil (Tokyo Pop) assinado por Kansai Yamamoto e a bota plataforma vermelha, ambos usados na turnê do álbum em 1973; o terno azul- -claro usado na gravação do curta feito para “Life on Mars?”; e o conjunto de calça e jaqueta multi- coloridas, de Freddie Burretti, feito para a turnê Ziggy Stardust.

A produção fotográfica também trouxe interessante material, como a foto promocional feita para a banda The Kon-rads, quando Bowie tinha apenas 16 anos; uma colagem feita por Bowie a partir de stills do vídeo de “The Man Who Fell to Earth”; e outra imagem dele com o escritor William Burroughs, fotografados por Terry O’Neill, e colorida manualmente pelo cantor.

Claro que a exposição é apenas uma amostra do vasto legado que Bowie trouxe ao cenário cultural. Independentemente de ser fã dele ou do rock, a complexidade da obra do star inglês merece uma reverência.

Carreira como ator

Bowie também atua e já fez participações significativas no cinema. Mesmo porque, antes da fama na música,
ele estudou teatro por muito tempo, o que deve ter facilitado sua atuação como Ziggy Stardust.

A seguir, veja alguns dos filmes dos quais Bowie participou: 

O Homem que Caiu na Terra (1976)

Bowie interpreta um alienígena (não, não é Ziggy) que, à procura de água para o seu planeta, acaba caindo na Terra. Aqui, ele conhece a riqueza, a ganância e o amor.

Apenas um Gigolô (1978)

O músico interpreta um herói de guerra que retorna à cidade após a 1a Guerra Mundial e acaba se tornando um gigolô. O elenco conta também com a atriz Marlene Dietrich, em sua última aparição no cinema.

Fome de Viver (1983)

Bowie se transforma em um vampiro (daqueles maus, nãos os bonzinhos que brilham no Sol) que começa a envelhecer rapidamente e vai em busca de uma especialista para se livrar da decadência. Um cult que conta também com as atrizes Catherine Deneuve e Susan Sarandon.

Furyo, Em Nome da Honra (1983)

Em “Merry Christmas Mr. Lawrence” (nome original em inglês), Bowie vive um soldado britânico em um campo para prisioneiros de guerra no Japão.

Labirinto – A Magia do Tempo (1986)

Se você foi criança nessa época, deve ter assistido ao filme, dirigido por Jim Henson, criador dos Muppets, e com roteiro de

Terry Jones. David Bowie, além de ter composto várias músicas da trilha sonora, interpreta o rei dos Goblins, o vilão da história.

Absolute Begginers (1986)

No formato de musical rock, o filme fala sobre estilo e cultura pop em Londres a partir do relaciona- mento entre um jovem fotógrafo e uma modelo. A trilha é fantás- tica, mas dizem por aí que Bowie merecia um papel melhor.

Vale citar também sua pequena (mas interessante) participação em “O Grande Truque” (2006), com direção de Christopher Nolan. Coestrelado por Christian Bale e Hugh Jackman. Bowie inter- preta Nikola

Tesla, o inven- tor que cria a máquina de teletransporte.

David Bowie - Star, man!
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David Bowie - Star, man!

Curiosidades sobre Bowie 

Não, ele não tem olhos de cores diferentes. Na verdade, Bowie sofre de anisocoria, diâmetro desigual das pupilas. E o problema foi causado por uma briga na escola, quando seu amigo George lhe desfe- riu um soco, tudo por causa de uma garota. Os médicos salvaram a visão (que não ficou 100%), mas uma de suas pupilas permaneceu constantemente dilatada.

Bowie desenha, pinta, escreve e também é escultor em suas horas livres.

O cantor tocou quase todos os instrumentos do álbum Diamond Dogs, incluindo a guitarra da música “Rebel, Rebel”.

Em 2004, pouco antes de sua despedida dos palcos, Bowie foi atingido no olho (da pupila dilatada) por um pirulito durante uma apresen- tação em Oslo, na Noruega. Entre vários impropérios, ele se referiu a quem jogou o doce (ninguém sabe quem foi): “Só tenho um olho saudá- vel, imbecil. Felizmente, você acertou bem, só o tornou mais decorativo do que já era”.

O livro “1984”, de George Orwell, inspirou o disco “Diamond Dogs”; aliás, vários utros livros foram bastante influentes nas composições de Bowie.

Bowie tocou duas vezes no Brasil, em 1990 e 1997.

O famoso raio no rosto de Bowie, da capa do álbum “Alladin Sane”, foi inspirado em um símbolo de uma panela elétrica.

Bowie rejeitou ser conde- corado como Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE, pela sigla em inglês) pela rainha Elizabeth II da Inglaterra. 

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