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EM ANO DE JOGOS PARALÍMPICOS, O QUE SE VIU FOI UM BRASIL QUE DÁ CERTO, COM O PARADESPORTO TENDO SUA DEVIDA VISIBILIDADE E BRASILEIROS ENTENDENDO QUE A DIVERSIDADE É PALAVRA CONSTANTE EM NOSSO DIA A DIA; E QUEM CONSEGUE RESPEITÁ-LA SAI GANHANDO. NESSE CAMINHO DO BEM, O MUNDO SE MOVE!

Abertura dos Jogos Paralímpicos 2016
Foto: CPB
Abertura dos Jogos Paralímpicos 2016

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra movimento significa ato ou efeito de se mover ou mover algo, agitação, entre outros. Essa constante transformação evolutiva encabeça uma ação importante na maneira das pessoas olharem ao seu redor. O Movimento Paralímpico vai além de competições, recordes, provas e medalhas. Ele define uma mudança de percepção que cada um tem ao olhar o próximo. É você conhecer antes de julgar, é viver antes de questionar, é respeitar antes de se gabar.

Este movimento caminha na direção do correto e essa linha tênue é a que divide a forma que você interpreta a vida. E com isso, tudo faz mais sentido.

Em 2016, um grande time esteve envolvido nas Paralimpíadas e cada pessoa agiu dentro da sua área à sua

maneira. Tivemos a organização, os patrocinadores, apoiadores, embaixadores, atletas e a torcida. Cada qual contando os dias para assistir àquele que seria o espetáculo do ano.

Com o assunto em pauta, veio à tona algo que deveria fazer parte do dia a dia das pessoas: as diferenças. Os Jogos foram uma vitrine para que portadores de deficiência fossem representados e mostrados como pessoas fortes, inteligentes, que sabem que as melhores vitórias são aquelas que vêm após um caminho árduo.

No Brasil, segundo o IBGE, cerca de 24% da população tem algum tipo de deficiência e a barreira do preconceito precisa ser rompida. Desde o início, a Profashional usa suas páginas para mostrar a beleza das diferenças, dando espaço para projetos de nanismo, Síndrome de Down, idosos, moda plus size, entre outros. Como não poderia ser diferente, há dois anos, assumiu seu papel de parceira do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), organização à frente de tudo o que tem relação com este movimento tão transformador no País e foi a partir dessa parceria e do que vimos nos Jogos que surgiu a ideia de fazer esta edição especial, para que esse movimento ganhe cada vez mais força.

“O EVENTO MUDOU A PERCEPÇÃO DAS PESSOAS EM RELAÇÕES AOS DESAFIOS E MOSTROU QUE NINGUÉM É SUPER-HERÓI E NINGUÉM É COITADO. SÃO TODOS HUMANOS.”

MIZAEL CONRADO, VICE-PRESIDENTE DO CPB

Este ano, a delegação brasileira superou marcas relevantes e quebrou recordes históricos nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. O destaque ficou por conta do total de medalhas conquistadas nas arenas cariocas: 72 (14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes), o maior número de pódios do País em todas as edições. Para Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, o resultado foi excelente:

“Estamos extremamente satisfeitos com a campanha nos Jogos”. Foram 72 medalhas conquistadas. Sob essa ótica, foi a nossa melhor participação. Um dos grandes objetivos era aumentar o número de medalhas no total e de modalidades no pódio. O desempenho dos atletas mostra que o trabalho foi benfeito. Nada menos do que 93 brasileiros fizeram no Rio as melhores marcas de suas vidas. A geração pós-Londres brilhou e 15 atletas (oito homens e sete mulheres) com menos de 23 anos subiram ao pódio. Isso aponta um futuro promissor do esporte paraolímpico brasileiro rumo a Tóquio 2020.

“Ainda mais agora que contamos com um Centro de Treinamento em São Paulo que não fica nada a dever aos melhores do mundo” diz ele.

Para o vice-presidente do CPB, Mizael Conrado, a sociedade está mudando para melhor e o Brasil está avançando no campo legislativo, sendo considerado há mais de uma década o país que tem a melhor legislação das Américas, neste segmento:

“Você percebe hoje as discussões sobre minorias, não só da deficiência, acontecendo de forma mais natural. A aceitação das pessoas está cada dia melhor. Nos Jogos, tivemos mais de 2 milhões de pessoas assistindo nas arenas, além das que acompanharam pela televisão, e todas elas viram um esporte de alta performance, executado por atletas que são capazes, como qualquer um. Então, por que uma pessoa com deficiência não pode estudar com o seu filho, ou ser seu amigo no dia a dia? O evento mudou a percepção das pessoas em relação aos desafios e mostrou que ninguém é super-herói e ninguém é coitado. São todos humanos”.

A UNIÃO FAZ A FORÇA

O marketing do CPB atua fortemente na busca por apoio, cavando oportunidades para que parceiros abracem a causa e se tornem disseminadores deste movimento. O desafio é romper o pre

conceito, fazendo com que as pessoas conheçam o potencial dos atletas. De forma resumida, o preconceito é uma preconcepção de uma realidade que o indivíduo desconhece. Por conta disso, o papel do embaixador paralímpico é tão importante e os nomes são escolhidos a dedo: “Nossos embaixadores são dotados de uma paixão tão genuína pelo papel que representam no CPB que se sentem conectados com todos os nossos guerreiros, atletas de alta performance, que encantaram o Brasil nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Nós nos sentimos privilegiados ao contar com suas entregas pessoais tão profundas à nossa causa.

Por isto, posso dizer com o coração em festa: Somos Todos Paralímpicos” , comemora Ana Claudia Bacellar, diretora de marketing do Comitê. A lista de embaixadores carrega nomes de peso, como Cleo Pires, Paulo Vilhena, Fernanda Lima, Rodrigo Hilbert, Ayrton Senna in memoriam, Ronaldinho Gaúcho, Flávio Canto, Nizan Guanaes, José Victor Oliva, entre outros; além disso, muitos tornam-se parceiros e apaixonam-se pela causa. Para todos, a honra de representar os atletas e mostrar seus feitos é o melhor presente que poderiam ter:

“Já tinha tido contato com este universo durante um evento paralímpico na minha hípica. Quando recebi o convite para ser embaixador, aceitei na hora.

Assisti a tudo de perto durante os Jogos e as minhas expectativas foram superadas. Os atletas são incríveis. Percebi que tinha ali uma missão e que todos têm aptidões diferentes, mas todos temos a aprender diariamente com eles. É um presente para mim fazer parte de tudo isso.” (José Victor Oliva – empresário)

 “Este foi um ano extraordinário por conta dos Jogos e tive o privilégio de acompanhar de perto as conquistas dos nossos atletas. E importante é a quebra de paradigmas que uma competição como essa traz para nós, principalmente para as novas gerações. A criança que acompanhou tudo isso olhará para uma pessoa com deficiência de uma forma diferente do que a minha geração carrega impregnado. Foi transformador, revolucionário para o movimento e carregaremos esse legado para sempre.” (Flávio Canto – ex-judoca e apresentador)

“Vesti a camisa de embaixador e quero continuar o trabalho de levar essa mensagem adiante. Minha ligação com o Movimento Paralímpico virou uma paixão e admiração. Eles são exemplos e inspirações e vou sempre propagar esse sentimento.” (Paulo Vilhena – ator)

“Foi uma das coisas mais emocionantes que já vivi. A forca e a garra desses atletas nos motivam. Só tenho a agradecer.” (Piny Montoro – assessora de imprensa – que esteve ao lado da atriz Cleo Pires nos Jogos e acompanhou tudo de perto)

“Foi uma experiência única, que nunca mais vou esquecer. E ver os Jogos e conviver com os atletas tão de perto me fez ter a certeza de que tudo que eu imaginava era verdade. São pessoas que fazem do problema uma oportunidade a ser superada. Quero cada vez mais trazer as pessoas para viverem o que vivi.

Levei minha família e amigos aos Jogos e agora quero continuar divulgando para que cada vez mais as pessoas conheçam esses atletas e tenham eles como os ídolos inspiradores que eles de fato são. Isso pode contribuir para mais representatividade, protagonismo e integração de pessoas com deficiência.” (Cleo Pires – atriz)

Os Jogos deixaram uma mensagem de igualdade, onde todos são capazes e merecem respeito. Muito foi conquistado, mas ainda temos um longo caminho a ser percorrido. Que venha uma nova era e que este movimento propague a igualdade!

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