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O BAILE DAS ROSAS, IDEALIZADO PELA ESTILISTA THAIS GUSMÃO, UNIU GRANDES NOMES, CELEBROU A VIDA NA TERCEIRA IDADE E MOSTROU QUE BASTA UM GESTO DO BEM PARA QUE ESSA CORRENTE SE PROPAGUE E CONTAGIE A TODOS.

Baile das rosas idealizado pela estilista Thais Gusmão
Divulgação
Baile das rosas idealizado pela estilista Thais Gusmão

Mais do que inclusiva, a moda também tem o poder de influenciar positivamente, com alegria e solidariedade, a vida de quem a produz e de quem a usa. Basta ouvir o comentário da dona Maria de Lourdes Oliveira Santos, que mora na Casa Ondina há cinco anos e acaba de vestir o primeiro vestido de festa da sua vida, aos 85 anos. “Senti tanta emoção, que eu não sabia o que fazer quando vi o vestido. Adorei! Ele ficou do jeito que eu esperava, sem contar que o baile me proporcionou uma grande alegria e satisfação por saber que, mesmo nessa idade, ainda me divirto como uma mocinha, como se estivesse num baile de 15 anos!” . O vestido a que dona Maria se refere foi todo reconstruído e adaptado para suas medidas pela estudante do 6º semestre de modelagem do curso de Designer de Moda do Centro Universitário Senac – Santo Amaro, Ana Paula Cincotto Viersa (em parceria com outras duas colegas), a partir do recebimento de uma saída de praia doada pela estilista Paola Robba. “Eu já trabalho com projetos sociais, mas essa experiência de vir ao asilo algumas vezes em função do vestido, pegar uma peça de uma estilista famosa e transformá-la de acordo com o gosto da dona Maria foi muita responsabilidade. Para mim, foi incrível porque trabalhei com um corpo fora dos padrões, com o qual não estamos acostumadas a ver no curso. E para ela, seu dia de glória e de muita autoestima” , explica a aluna. O Baile das Rosas aconteceu no dia 18 de novembro e foi organizado por Thais Gusmão, estilista consagrada no mercado da moda, que promoveu o evento, sem fins lucrativos, e reuniu grandes nomes do universo da moda para realizar o sonho de 16 senhoras (do asilo Ondina) de ter um vestido de festa, confeccionado por cerca de 40 alunos do curso de Moda do Senac, a partir de diferentes tipos de peças doadas por renomados estilistas, como: Dudu Bertholini, Adriana Barra, Carina Duek, Marcelo Sommer, Isabela Capeto, Caio Gobbi, Paola Robba, Lino Villaventura, Alberto Hiar, Walério Araujo, Gisele Nasser, Karin Feller, Thais Losso e Amapô . “Neste ano de 2016, minha avó completou 90 anos de idade e a minha marca, 20 anos. Por isso, eu precisava de alguma forma comemorar, principalmente, o aniversário da minha avó, dona Rosa, que inspirou não só o nome do baile como também a minha profissão, por ser costureira. Mas gostaria que fosse de um jeito especial, proporcionando para ela e para as pessoas do asilo um momento especial de festa e alegria, realizando o sonho de algumas ali, de ter talvez pela primeira vez na vida o seu vestido dos sonhos, mas eu não teria como fazer isso sozinha, por isso procurei o Senac e os meus amigos, e os resultados disso foram maiores do que eu humildemente esperava quando o idealizei” , explica Thais. O evento contou inclusive com a presença da nossa publisher, Sandra Teschner , que não resistiu ao comentário da dona Maria e fez questão também de expressar sua emoção. “Moda sempre foi para a mulher uma eterna brincadeira de criança. E ver a alegria que ela sente hoje por usar seu primeiro vestido na vida é realmente gratificante. Definitivamente nessa idade se pode tudo!” . Para Paola Robba, que também foi ao baile para comprovar de perto o resultado da peça que doou para a dona Maria, foi uma lição de vida. “Fiquei encantada com a transformação e com a pessoa que está vestindo. É emocionante a gente estar aqui vivenciando isso porque são tão poucas as pessoas que olham para um asilo, uma pessoa de idade, e propiciam isso para elas. Estou mais do que encantada com o projeto. Como transformaram tudo isso numa coisa tão linda... estou contente por ter participado!”

Corrente sem fim

Quando as ideias são boas e todos trabalham juntos em prol delas, as ações se multiplicam e contagiam. “Ao sermos procurados pela Thais, de cara, sabíamos que havia um grande desafio pela frente. Afinal, partiríamos do zero, com peças femininas preexistentes, doadas por estilistas que tinham suas próprias características e que precisariam ser descontruídas quase que totalmente, de alguma forma mantendo algo que fosse a marca do artista e que ao mesmo tempo atendesse às necessidades das senhoras do asilo, considerando que algumas delas são cadeirantes ou possuem outras dificuldades. Mas os alunos de modelagem e estilismo do primeiro, segundo e terceiro ano se superaram e, além de conviverem com tudo isso pela primeira vez na carreira, procuraram atender aos gostos de cada senhora, como cores, modelos e estilos” , explica a coordenadora do curso de Moda do Senac, Viviane Kozesinski.

Vestibilidade

O que era para reunir despretensiosamente 20 alunos, na concepção de Thais, acabou crescendo e reunindo um pouco mais de 40, em torno de uma só ideia: unir o universo do estilista à realidade de cada senhora da instituição. “A questão da vestibilidade foi muito concreta, pois não se tratava apenas de vestir um busto clássico, com medidas padrões, mas sim do corpo de uma ‘cliente de verdade’, com medidas reais, diferentes das que os alunos estavam acostumados a ver e que, consequentemente, exigiriam deles
mais dedicação. E acredite, é mais difícil adaptar uma roupa do que começá-la do zero” , destaca Viviane. Além dessa experiência real, vivida pelos alunos, o projeto acabou rendendo mimos para os cavalheiros da Casa Ondina, que ganharam gravatas nos mesmos tons dos vestidos usados pelas senhoras no baile, além de um dia de príncipe, com direito a cabelo e barba feita pela Barbearia Cavalera. Claro que, na mesma linha e para ficarem ainda mais lindas, as senhoras também tiveram seu dia de princesa, antes do baile, com cabelo e maquiagem feitos pelo salão Jacques Janine, além de ganharem sandálias da Melissa para compor o look. No paralelo, o evento contou com o apoio da Chilli Beans, que doou óculos para as pessoas do abrigo; com a TexPrima; Rei do Mate (responsável pelo buffet do baile), entre outros parceiros que doaram valores para a instituição; e os próprios convidados, que levaram quilos de alimentos.

Pós-baile

Os vestidos ficaram tão lindos que, depois do baile, eles também serão expostos, no ano que vem, num espaço que será definido, e depois doados para as respectivas senhoras que os usaram.

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