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ILUMINADA! ESSE É O ADJETIVO PERFEITO PARA PAOLA ANTONINI. COM APENAS 22 ANOS, A MINEIRA ESBANJA SIMPATIA E CONTAGIA A TODOS COM SUA ENERGIA QUE TRANSMITE POSITIVIDADE E AMOR PELA VIDA. NÃO É À TOA QUE TEM EM SEU INSTAGRAM MAIS DE 1 MILHÃO DE SEGUIDORES

Paola Antonini
Divulgação
Paola Antonini

Ela chega para a sessão de fotos com um sorriso largo e vai de um lado para o outro conversando e contagiando todos à sua volta com sua alegria. Em visita à Profashional Editora , não foi diferente, conversou, gargalhou e até dançou. Um exemplo de superação por onde quer que vá, após acidente em que teve uma de suas pernas amputada há quase dois anos, o que era para ser um obstáculo, virou motivo para levar a vida com muito mais paixão. Na entrevista, ela nos conta que só teve motivos para agradecer quando soube sobre a sua perda, já que o mais importante foi preservado: a vida – com uma história nova e inspiradora para contar.

Recentemente, chegou a ser considerada musa dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 ! Para Paola Antonini , não existe tempo ruim, está sempre disposta a aprender coisas novas e nada a impede de ser feliz!

Profashional em Movimento: Todo mundo que conhece sua história se contagia pela sua energia. Logo depois do acidente, o que passou pela sua cabeça?

Paola Antonini: Tive um sentimento muito diferente porque, desde o princípio, quando soube o que tinha acontecido, senti muito de perto o que teria sido se perdesse minha vida. Comecei a pensar: “Meu Deus! Quase que não estou mais aqui!”. Então, a minha primeira reação foi agradecer, rezava toda noite.

PEM: E você achava que haveria algum momento em que você ia deixaria de fazer alguma coisa? Ou que seria um ritmo um pouco diferente?

P.A.: Sim, era um mundo muito incerto para mim porque não conhecia pessoas próximas a mim com algum tipo de deficiência. Quando me falaram que tinha a opção de usar prótese, não sabia como era uma. Aí comecei a imaginar que era igualzinho a uma perna. Começamos a pesquisar na internet, ir aos lugares em que havia pessoas amputadas. Foquei muito em fisioterapia para poder voltar à minha vida.

PEM: Quanto tempo até você experimentar a primeira prótese?

P.A.: Foi bem rápido! Coloquei a prótese mais ou menos um mês depois da minha cirurgia. Mas comecei com duas muletas, né? E doía muito quando coloquei a prótese. Mas pensei: “Quero voltar a andar! Está difícil, está doendo, mas eu vou conseguir”. Aí eu insistia, ficava 24h por dia com a minha prótese, só tirava para dormir, tomar banho. Queria arrancar, mas eu não arrancava. Foi bem rápido, e um mês e meio depois eu já estava andando.

PEM: Ali, você já tinha certeza de que tudo iria ficar 100% bem?

P.A.: Na minha cabeça, eu tinha certeza, as pessoas próximas às vezes chegavam a falar que eu ainda não tinha caído na real, que eu estava num estado que ainda viria a tristeza, e nunca veio! São quase dois anos e realmente não veio esse sentimento. Mas quando comecei a andar, comecei a conhecer um mundo tão novo.

PEM: Você teve de recomeçar porque você reaprendeu a andar, certo?

P.A.: Sim, tive de reaprender a andar, a me equilibrar. Eu, sem prótese, me equilibrava toda torta, hoje, eu consigo me equilibrar totalmente em pé sem minha prótese. Mas é um mundo totalmente novo, reaprender a andar, a descer escada, eu que andava muito rápido, tive de diminuir o ritmo.

PEM: Determinação foi o fator decisivo para vencer essas etapas?

P.A.: Sim, e eu foquei muito em fisioterapia, tive de trancar a faculdade para me dedicar a isso. Foram seis meses de total dedicação e tudo de maravilhoso começou a acontecer, então eu tinha certeza de que estava tudo dando muito certo.

PEM: E esse mundo paralímpico? Você falou que não conhecia nada e aí eu vi você torcendo, indo de uma competição para outra...

P.A.: Antes, eu não conhecia nada. E nesse tempo todo, fui conhecendo várias pessoas. A gente começa a conversar com quem também porta alguma deficiência, então conheci vários atletas virtualmente, como o Fernando Fernandes, por exemplo, porque a gente tem algo em comum. Comecei a conversar e conhecer um pouco mais e admirar. Aí, quando surgiu o convite para assistir às Paralimpíadas, fiquei muito feliz.

PEM: O que aflorou?

P.A.: Tudo! Foi uma emoção muito grande. Por exemplo, à natação, eu fui todos os dias e queria ir mais. É muito lindo porque têm pessoas com deficiências tão diferentes. Então, você vê pessoas que não têm a visão, outras com deficiência física fazendo coisas inimagináveis. A gente vê, por exemplo, triamputado nadando e vencendo. Eles deram um show! Fiquei tão orgulhosa. Eu queria ver tudo! Acabava, não tinha mais ingresso para eu ir, eu caçava alguém pra me dar um ingresso.

PEM: Você acredita que os Jogos mudaram a forma de pensar das pessoas?

P.A.: As Paralimpíadas foram incríveis porque as pessoas conheceram mais desse universo. No início, todo mundo estava com medo, achando que os estádios ficariam vazios, e pelo contrário, lotou! O pessoal procurava ingresso e não conseguia. Então, eu acho que foi lindo para as pessoas conhecerem mais, admirarem ainda mais nossos atletas. Mudar o tipo de visão, pois são atletas iguais que estão fazendo coisas sensacionais. O esporte mostra que você não precisa se limitar, não precisa parar pela sua deficiência. Então, pega a sua limitação, vai achar outras coisas que você possa fazer. Vi muitas crianças e isso faz a diferença na hora de termos pessoas melhores! Eu passo por situação com crianças todos os dias, crianças curiosas e que gritam “Pai! O que é aquilo?”, o pai muitas vezes fica sem graça e eu faço questão de falar “Vem cá, olha, você nunca viu uma perna assim?”, então você começa a apresentar um novo mundo a elas.

PEM: E você deixou de fazer alguma coisa?

P.A.: Eu não corro, porque não consigo com essa prótese. Não dirigi ainda desde o acidente, mas não por limitação física, mas eu fiquei com um pouco de medo por noção de espaço, mas eu quero muito. Meu próximo objetivo é tirar a habilitação.

PEM: E coisas novas, fez muitas?

P.A.: Tudo! Por exemplo, surfar. Foi com o CPB, eles estavam fazendo o adaptsurf na praia. E fui. Foi maravilhoso, foi muito emocionante porque eu nunca me imaginei surfando, ainda mais com a minha prótese lá dentro e deu super certo. Tentei me arriscar no skate, mas eu só levo tombo (risos). Dança é uma coisa que eu nunca tinha feito, já tinha tentado quando era mais nova, mas eu sempre fui muito dura, muito sem jeito, mas depois do acidente, eu falei: “Ah, vou tentar, vou ver o que dá”, e foi uma coisa que eu desenvolvi, uma paixão. Sempre que dá ou que surge uma oportunidade, eu vou em frente e experimento coisas novas.

PEM: Você falou uma coisa muito legal uma vez, sobre a questão da cicatriz, que é isso que conta a nossa história...

P.A.: Sim, eu acho lindo e realmente gosto de falar isso. Minha perna eu nunca ia conseguir esconder, mas se escondesse minha cicatriz, eu esconderia a minha história, e acho lindo eu mostrar pelo o que eu passei. Toda marca que a gente tem mostra pelo o que a gente passou e define quem nós somos.

PEM: Nessa sua visão tão positiva, o que é ser Profashional?

P.A.: Acho que Profashional é inclusão! É aceitar o outro, e mais do que isso, mais do que respeito, é admirar também. Profashional é isso, todo mundo unido, todo mundo igual e não se deixar limitar pelos problemas que aparecem na nossa vida, por mais que seja deficiência, nada pode limitar a gente, então a gente tem de se adaptar, tem de fazer o que tem vontade. E também eu acho que ser Profashional é ser autêntico, é estar feliz com você mesmo, feliz com o seu corpo.

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